Redes de afeto
Segunda passada foi meu aniversário, 38 voltas em torno do sol. Como boa canceriana que sou, na astrologia védica e tropical (que sim tem diferenças e sim às vezes as pessoas “mudam” de signo), gosto do meu retorno solar pra casa.
Gosto de fazer aniversário, celebrar aniversários mesmo que de forma pequena e intimista , afinal, canceriana ne? E gosto de perceber minhas redes de afeto.
O mundo tem se tornado um lugar distante. O etéreo, artificial, imagético , velocista que por tantas vezes ajuda e facilita a rotina corrida, também desfaz encontros importantes. Aqueles construídos através das nossas relações mais profundas. Com a gente mesmo e com o outro. Que de um certo ponto de vista podem ser quase a mesma coisa.
As ligações foram substituídas por mensagens rápidas em grupos de WhatsApp. Os cartões por dms de redes sociais. É o tal do “novo normal”. Longe de mim querer ser uma velha chata. Eu tbm dou minhas felicitações pelas redes, que por sinal nos aproximam de quem está longe geograficamente. Mas o que aconteceu com as palavras? Com os textos sinceros? Com as conversas bonitas?
Na última segunda-feira percebi, com certo alívio e reconhecimento da própria sorte, que as redes de afeto precisam ser, agora, ainda mais verdadeiras. Ainda mais fortes. Como se precisassem entrar num mar gelado e nadar contra a corrente braçada por braçada para vencer a travessia.
Áudios longos. Mensagens escritas de forma bonita, pensada, daquelas com jeitinho de quem escorreu do coração até a ponta dos dedos. De gente que tem a data do aniversário salva no telefone na agenda de papel no calendário de parede. De gente que dá o parabéns pensando em terceira pessoa, não em primeira ( alias, já percebeu como a gente felicita o outro falando da gente!?).
Fiquei muito reflexiva - canceriana de novo, né? Sobre a bonita edificação de afetos até aqui. Gente de perto, gente de longe, gente dessa e de outras vidas. Aos quais agradeci ao universo por compartilhar o mesmo tempo espaço.
Há quem diga que todo o dia é dia. Mas recomendo fortemente que a gente não se canse e boie com a corrente nas ondas do distanciamento do mundo veloz. Que a gente resista à corrente e nade contra. E mande bilhetes bonitos, cartas longas, áudios felizes, ligações compridas e acenda estrelas no coração de quem a gente quer bem.
