Ode ao amor
No dia 12 de junho abri uma página no caderno e escrevi: o amor é cafona. Dessa afirmação surgiram frases, versos, pensamentos soltos que se uniam por conta própria. Algo que ficou mais ou menos assim:
assim como a vida deveria ser
mas a gente resolveu transformar
num espetáculo
o amor é cafona
brega
mas sustenta o mundo
faz a gente levantar de manhã
passar um café
acreditar nos finais felizes
o amor é cafona em todas as formas
amor de mãe, de pai, de filho, de amigos
o amor continua sendo amor mesmo
quando acaba
e na cadencia dos segundos o amor
salvará o mundo.
No último sábado fui a um casamento, algo que no meu círculo social tem sido bem raro de acontecer. Ou as pessoas já estão casadas ou elas, assim como eu, juntam os trapos e decidem usar o dinheiro da festa pra viajar.
O casamento de sábado era entre duas pessoas jovens, que queriam juntar seus amores, pessoais, familiares, amorosos, amigáveis para celebrar justamente o amor. Cafona, né?
Só que o amor tem disso, de tão cafona ele fica bonito. Ele transborda e faz a água correr dos olhos de quem tem a honra de testemunhar. De quem tem a honra de viver. Lava a alma. Diante do mundo e suas tragédias, diante da vida e seus pesos cotidianos a ingenuidade do amor, continuo afirmando nos salvará.
Em jurar o amor, em escrever votos que talvez nunca se cumpram, em escolher se vulnerabilizar e se jogar ao grande abismo da promessa de vida conjunta, Tiago e Betina me lembraram que mesmo em meio às tempestades deitamos e acordamos porque somos capazes de amar. Que mesmo no caos do ordinário, na indescritível beleza do amor, o mundo tem um sentido. Por causa do amor achamos palavras que podem dar ao horrível da vida uma porção de alegria. Suficientemente boa para fazer, a todos nós, seguir adiante.
E então, de teimosos que somos, seguimos.
